quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um conto do autor "Alessandro Marques" (meu colega de escola)

GENTE, ESSE É UM CONTO DE UM AMIGO MEU DA ESCOLA CHAMADO ALESSANDRO
MARQUES. NOSSA PROFESSORA DE PORTUGUÊS PEDIU QUE TODOS FIZESSEM UM CONTO PARA ELA AVALIAR.. E FOI OQUE ACONTECEU , ALESSANDRO MARQUES FEZ ESSE CONTO E ARREBENTOU ! TODOS GOSTARAM E APLAUDIRAM... AGORA VEJA SE VC TAMBÉM VAI GOSTAR.




Anjos das Ruas


Sim, eu era um garoto de rua de uns 6 anos, e não tinha onde morar ou comer. Eu era pobre, e não tinha nada. Só as minhas roupas. Todos os dias eu remexia a caçamba de lixo que ficava em uma rua cheia de restaurantes, às vezes eu almoçava macarrão com queijo ou arroz com farinha, mas a maioria das vezes eu não encontrava nada na caçamba, e ia embora com dor no estômago de tanta fome.
Eu dormia em um banco de uma praça, e meu cobertor era uma simples folha de jornal de alguns anos atrás, meu travesseiro eram minhas mãos e o colchão não existia. Eu acordava todos os dias pontualmente às 7:23 da manhã e ia correndo para a casa de uma velhinha que me dava de comer todas as manhãs, ela também era pobre e mal tinha como se sustentar. Eu a amava como se fosse a mãe que eu nunca tive ou vou ter.
A minha vida era sossegada, era difícil, mas eu gostava, afinal, acho que não tenho escolha. No dia seguinte logo quando acordei fui direto à casa da velhinha para o desjejum, depois voltei para a praça e brinquei com os pombos até as 14 h, quando fui para a rua dos restaurantes procurar um bom almoço na caçamba de lixo. Enquanto comia alguns bolinhos de carne eu percebi que alguma coisa estranha acontecia em um caixa eletrônico perto dali, ouvi muitos barulhos altos e ensurdecedores, eu estranhei aquilo tudo e fui ver de perto o que estava acontecendo, quando cheguei, vi que estavam todos desesperados e correndo para todos os lados, não entendi o que estava acontecendo, foi quando eu senti um grande impacto seguido de uma dor quase insuportável, quando coloquei a mão sobre o meu peito, percebi que estava molhado, então vagarosamente ergui minha mão e a vi ensangüentada. Lentamente meus olhos se fecharam e perdi a consciência, então acordei em um quarto em que tudo era limpo e branco. Minhas roupas, onde estavam? Eu estava somente com um vestido, que não era do meu agrado.
Depois de algum tempo lembrei o que tinha acontecido, daí entrou uma moça, muito bonita, com muita comida em uma bandeja, aquilo tudo era para mim, não sei se ela tinha pego da minha caçamba e trago pra mim ou da onde vinha toda aquela comida, logo comi tudo e em seguida entrou uma senhora que retirou a bandeja. Eu não tinha nada o que fazer, mas achava que deveria esperar alguém, depois de muito tempo a porta se abriu e entraram três palhaços, eu não sabia porque eles estavam aqui ou o que queriam de mim, daí começaram a me dizer que tudo iria ficar bem e que eu não tinha com o que me preocupar. Depois de algumas brincadeiras legais, eles se foram. Então eu comecei a pensar no que estava acontecendo comigo, porque todos me davam tanta atenção e comida sem nada em troca? Porque me davam abrigo e uma cama macia?
Eu não sabia nenhuma dessas respostas, mais sabia que aqueles eram os momentos mais felizes da minha vida.
Ao anoitecer entrou um senhor de branco, dizendo que eu não podia fazer isso e não podia fazer aquilo e que não deveria mais comer alguns alimentos, como se eu tivesse tantas opções assim. Então o senhor saiu do meu quarto. Daí pra frente eu me senti sonolento e cada vez mais fraco, e antes de adormecer percebi que várias pessoas estavam entrando no meu quarto e me sacudindo por inteiro.
Quando acordei eu estava em outro quarto, sozinho, com uma máquina que só sabia me tirar a paciência fazendo PÍ, PÍ, PÍ. Durante muito tempo eu fiquei brincando com o cobertor e o meu travesseiro, ah sim eu tinha um cobertor e um travesseiro de verdade agora, inclusive um colchão macio e suave que me dava noites de sono profundo, depois de um certo tempo chegou a moça bonita da comida com a bandeja repleta de delicias, eu comi tudo e em seguida veio a senhora que recolhia.
Depois de alguns dias, a velhinha que me dava de comer todas as manhãs entrou em meu quarto, a minha felicidade era tanta que meus olhos se fixaram em seu rosto e por algum tempo não houve reação, mas depois tudo se acalmou e durante muito tempo nós conversamos e rimos de muitas coisas que haviam acontecido pela praça onde eu morava, ela deveria sair agora, pois já passava das 22 h e o horário de visita se acabara, mas com muitas promessas ela se foi dizendo que voltaria.
Eu estava tão ansioso que mal conseguia piscar os olhos, esperando o dia seguinte que chegaria. Logo virei para um lado da cama e meu coração se aquietou, mas ele havia se aquietado de uma forma que nunca antes teria sentido, meu coração parecia adormecer, então antes de cair em um sono profundo percebi que a máquina não me atormentava mais. E então descansei em paz.

Naquela mesma noite foi constatada a morte de um garoto que não era nada para o mundo, mas era o mundo para alguém.


Autor: Alessandro Marques






25 de Junho de 2009

2 comentários:

  1. gostei muito
    seu conto é muito legal
    trata da realidade de hoje em dia né
    bjos!!!

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  2. nossa ficou mara seu conto!!!

    parabens


    flua mais sua imaginaçaõ

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